Ora, partindo desta premissa, o facto de a Ásia Central - o berço da civilização - atravessada pela Rota da Seda - a primeira linha de união dos dois lados do mundo (West meets East), a primeira verdadeira "auto-estrada" da informação, a génese das relações comerciais a nível mundial - ser também uma das zonas mais conturbadas da actualidade, só pode ser encarado com um sorriso sarcástico. O berço é uma bomba!
Não é que me espante que assim seja. Afinal, são milénios de cismas, guerras, jogos de interesses, manobras geo-políticas, aculturações mais ou menos forçadas, cisões de fé, início e fim de impérios, enfim, um sem número de razões que lançam bem fundo no tempo os alicerces da desconfiança. A tendência dos homens para complicar tudo fez o resto. O que verdadeiramente me espanta é que ainda hoje se levem a sério! Imaginar, por exemplo, que o presidente do Irão vai carregar num botãozinho vermelho e engolir o mundo num cogumelo nuclear é para mim uma ideia tão absurda como a paz no mundo. E não uso a comparação de forma leviana: acho verdadeiramente absurdo quando o ouço dizer, sejam aspirantes a misses mundo ou presidentes de super-potências. Nem 8 nem 80. O que seria a vida sem uns tabefes de vez em quando? Há que haver algum frisson, mas, caramba, a aniquilação total ultrapassa a ironia e entra no campo da estupidez pura e simples.
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